quinta-feira, 22 de julho de 2010

Viúva.

Era uma tarde de agosto de 1944, ela estava na cozinha lavando os pratos da refeição que fizera, pensava que quando seu amado voltasse, nunca mais faria uma refeição sozinha.

Ele e ela tinham se casado na primavera. O outono trouxera as folhas alaranjadas que caiam no quintal e uma convocação. Ela achou que esse dia nunca chegaria, o dia em que pousou a mão no rosto dele, olhou em seus olhos como se fosse a última vez que os fosse ver, e disse a frase clichê de toda mulher apaixonada, mas que para ela eram palavras sinceras. Ele prometeu que voltaria, que teriam uma família, que fariam todas as refeições juntos até ficarem enrugadinhos e Deus levasse um deles. Mais de um ano se passou.

Bateram na porta, ela achou que era o carteiro, porque a caixa de correio estava quebrada e ele tinha que entregar as cartas em suas mãos. Era um senhor de uniforme, mas não de uniforme de carteiro. Era um oficial. Ele estendeu a carta para ela com a formalidade e frieza de todo oficial que faz esse tipo de serviço.

Com uma mão ela segurou a carta, com a outra tampou os olhos que já saiam lágrimas. Aos poucos caiu de joelhos nos pés do oficial. Ela chorava e soltava questionamentos entre soluços. O oficial não sabia se ela estava questionando ele, Deus, o amado que partira, ou ela mesma. Uma compaixão possuiu o oficial que timidamente colocou a mão sobre a cabeça da moça e disse que sentia muito. Retirou a mão e foi para o carro, ele era um mensageiro da morte e jovens viúvas aguardavam seus serviços.

E ela permaneceu sentada no chão da varanda, sentindo a brisa bagunçar seus finos cabelos enquanto as costas das mãos enxugavam as lágrimas que caiam. Ficou ali até escurecer. Levantou-se para esquentar os restos do almoço, colocou um prato na mesa e se deu conta que nunca mais faria uma refeição a dois.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

-"A culpa não é minha!"

Foi o que ela disse pra mim. Que a culpa dela ser mimada, egoísta e problemática, era dos pais, de Deus e da vida.
-E o que vc disse pra ela?
-Que a culpa dela ser assim podia mesmo ser de todos eles. Mas que a culpa dela continuar assim era dela mesma. Você pode nascer cheio de defeitos, mas isso não significa que precisa morrer com todos eles.
-Hum... E ela?
-Se calou por um instante, me xingou e foi embora.
-Acha que ela volta?
-Não sei, demora para se digerir a verdade.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

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E ela continuava andando em passos largos, não podia perder aquele trem. Enquanto andava ia pensando sobre tudo que estava sentindo nos últimos dias. Uma mistura de angústia com uma profunda tristeza. Tentava se lembrar quando fora à última vez que sorriu, lembrou-se que antes de toda a desgraça vir ela já não sorria mais.

Chegou na plataforma. Como queria que aquela fosse uma viagem sem volta. Uma viagem que a fizesse esquecer de tudo que tinha passado, que curasse seu coração ferido e a transformasse em alguém mais forte. Pois ela sabia que era uma fraca.

Ela era apenas mais uma pessoa medíocre que se afundava em suas próprias dores e não percebia que não era a única a fazê-lo. Ela tentara mudar seu comportamento várias vezes, nunca com um grande sucesso. Na verdade ela não era assim antes, nunca entendera muito bem como tudo tinha começado. Antes ela era uma menina divertida, doce e feliz. O que aconteceu comigo meu Deus? Perguntava para si mesma.

Desde o começo ela lutara contra tudo isso, mas aos poucos a dor, a angústia e o desespero foram penetrando em sua pele em pequenas doses imperceptíveis. Já estava cansada disso tudo. Uma agonia a dominou, queria ir pra casa. Virou-se e foi caminhando para fora da plataforma. Sabia o que faria quando chegasse.

Fechou os olhos e um sorriso mórbido saiu dos seus lábios, já conseguia sentir cheiro do gás de cozinha penetrando em seus pulmões. Começou a se animar, tudo isso acabaria logo. No meio do caminho esbarrou em alguém, uma amiga que não tinha notícias há tempos. A amiga fez uma festa, gritinhos e abraços, contou rapidamente as novidades e disse que precisava ir, tirou uma caneta da bolsa e anotou na mão da garota um número de telefone. Estava a uns cinco passos de distância quando voltou correndo e deu um abraço forte na garota, mais forte que os outros, disse baixinho que ela fora uma das melhores pessoas que apareceram em sua vida e foi embora.

A garota começou chorar. Meu Deus o que deu em mim? O cheiro de gás não era mais convidativo, sentiu uma grande repulsa no que pensara fazer. Comprou outro bilhete aos prantos, voltou pra plataforma e seguiu em frente. Uma esperança de dias melhores pousou em seu coração.

sábado, 17 de abril de 2010

domingo, 28 de março de 2010

Franz Ferdinand, 23/03/2010 @ Via Funchal


Terça-feira passada pode ter sido um dia normal para você, mas não para mim. Acordei cedo, tomei banho, me arrumei, almocei e fui pegar o trem para o Via Funchal. Depois de me perder pelas redondezas e andar quase 20 minutos, achei o bendito lugar.
Duas da tarde, minha amiga já estava na fila, que ainda não estava grande, fizemos alguns amigos e esperamos até as oito da noite, hora que a 'casa' ia abrir os portões. Nesse meio tempo minhas outras duas amigas chegaram e deu para comer um lanche no Mc. Um pouco antes da hora de abrir a casa, vi um MALDITO segurança do via funchal vendendo lugares no começo da fila para uns burguesinhos idiotas. Revoltei.
Entramos, corremos pelas escadas, chegamos na pista. Conseguimos ficar bem na frente e esperamos mais de uma hora em pé até a banda de abertura começar a tocar, que, diga-se de passagem,  foi uma merda.
E... começou! Eles entraram e começaram a tocar Bite Hard. Em menos de dois minutos o público foi à loucura! Um empurra-empurra desgraçado e o ambiente começou a esquentar, literalmente. The Dark Of The Matinée veio logo em seguida. Eu até fiquei surpresa, achei que eles iam demorar para tocar.
E foram tocando, tocando e entre as músicas o Alex conversava, "hey São Paulo", ele e o Nick faziam questão de tocar pertissímo dos fãs. This Fire foi um dos grandes auges, todos pulando, dançando e cantando pra valer! O suor era tanto que ninguém mais sentia quando esbarrava no outro, sauna era refresco comparado àquilo.
This Fire foi seguido de Ulysses e Outsiders, não deu nem tempo de respirar! E no fim de Outsiders os quatro fizeram uma performace incrível na bateria! Os quatro tocando ao mesmo tempo por um considerável tempo, todo mundo vibrava!
Depois dessa deram uma breve pausa, para voltarem com tudo tocando All my Friends e fecharam o show com Lucid Dreams. Saíram um por um, e só sobrou o Paul na bateria, o solo dele foi íncrivel. Logo depois eles voltaram para agradecer e se foram.
Nuinca senti tanto calor, nunca vi um show tão animado e um vocalista tão simpático. Já passou quase uma semana, mas cada cena ainda volta pra minha cabeça...

That's it!

foto de: http://www.flickr.com/photos/dodalobo/

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010